Deixei de falar muito e de discutir sobre o salário mínimo. A abordagem que muita gente faz sobre o aumento ou não do salário mínimo leva sempre a histerias e frases feitas sem qualquer sentido técnico. Qualquer pessoa que considere negativo o aumento do salário mínimo em determinada circunstância será sempre apelidada de neoliberal e de não ter escrúpulos. Ninguém se importa com a economia nem com a produtividade; ninguém está interessado em associar o salário mínimo à produtividade da economia; toda a gente entende que o salário mínimo deve ser aumentado porque o seu valor já é baixo.

A sociedade já impregnou a ideia de que as empresas são todas iguais. Se umas pagam mais do que salário mínimo, as outras têm a obrigação de fazer o mesmo. Esquecem-se de que a produtividade e a competitividade não são iguais nos dois tipos de empresas. Muita gente pensa que um café em Lisboa, que paga 800€ de remuneração a cada funcionário, compete com as mesmas armas que um café em Bragança. Se o café de Lisboa pode pagar 800€, o café de Bragança também terá de pagar o mesmo valor…

O governo pretende aumentar o salário mínimo e a história volta a ser a mesma. Os partidos, os jornalistas e a sociedade em geral consideram que é um dever aumentar o salário mínimo. Só perde por já ser tarde. Espero que o aumento do salário mínimo não traga mais desemprego e que as empresas consigam pagar um salário mínimo mais elevado, mas as expectativas não são muito positivas.

About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

6 responses »

  1. Jorge Gaspar diz:

    “Muita gente pensa que um café em Lisboa, que paga 800€ de remuneração a cada funcionário”
    Tens que me dizer que cafés são esses para eu começar a enviar currículos.
    Não sei onde foram buscar a ideia de que em Lisboa não se recebe o salário mínimo.
    Sou contra a existencia do salário mínimo, e acho que este aumento será prejudicial, mas é mentira que em Lisboa se receba salários muito superiores ao resto do país, até porque em grande parte do país existe o pequeno comércio, 2 ou 3 empresas médias, as juntas e a câmara, e a função pública ganha o mesmo em qq lado. É óbvio que numa cidade grande existem sempre assalariados a ganhar um valor mais elevado, mas basta ter em conta o desemprego da região de Lisboa para se perceber que uma parte grande da população da área metropolitana recebe o salário mínimo.

  2. J.Pinto diz:

    Bom dia, Jorge Gaspar

    É claro que o valor dos 800€ é meramente comparativo. Não sei se ganham 800€; mais ou menos. O que sei é que, em média, as remunerações são muito mais altas em Lisboa (e noutras zonas) do que no interior. A diferença é abismal, razão pela qual a existência de um único salário mínimo é desproporcionada. Enquanto em Sines o Salário é de cerca de 1800€, em Lousada é de pouco menos de 700€. (dados: http://www.pordata.pt/DB/Municipios/Ambiente+de+Consulta/Tabela).

    Relativamente aos ganhos na restauração, como lhe disse atrás, depende de vários fatores. Dependendo da área de qualificação, até há salários, em média, bastante superiores aos 800€ (http://www.pordata.pt/Portugal/Ganho+m%C3%A9dio+mensal+dos+trabalhadores+por+conta+de+outrem+do+Alojamento+e+Restaura%C3%A7%C3%A3o+total+e+por+n%C3%ADvel+de+qualifica%C3%A7%C3%A3o-545). Mas como lhe disse, os 800€ que indiquei no artigo têm como único objetivo clarificar que existe uma diferença enorme entre empresas.

  3. Jorge Gaspar diz:

    As cidades Portuguesas onde melhor se paga em média são Seixal e Alcochete. Porquê? Porque são os locais de trabalho dos jogadores de Benfica e Sporting. Mas isto não significa que no Seixal e em Alcochete um empregado de mesa ganhe muito mais que um empregado de mesa em Bragança. Não ganha.
    Em Lisboa estão grande parte dos grandes cargos de gestão das grandes empresas e óbviamente estes lugares são muito bem pagos. Existem muitos cargos intermédios bem pagos nas várias empresas sediadas em Lisboa. No entanto, a taxa de desemprego em Lisboa anda á volta dos 12%, próxima da taxa de desemprego do resto do país, e o salário minímo é o mesmo. Podemos explicar isto através da migração para Lisboa de pessoas do resto do país. Ainda assim, com este salário mínimo, se os salários em Lisboa fossem efectivamente mais elevados em qualquer tipo de trabalho, neste momento a taxa de desemprego da região não podia ser tão elevado. E para terminar, é óbvio que o salário mínimo afecta mais regiões mais pobres

  4. J.Pinto diz:

    Os dados que lhe enviei (através da hiperligação do Pordata) dizem que é em Sines que o salário médio é mais elevado. De qualquer forma, as diferenças não devem ser significativas.

    Vou com alguma regularidade a Lisboa e os preços de venda praticados, seja na restauração, alojamento ou comércio, são bastante superiores aos preços no norte (onde vivo). Já estive a trabalhar em Lisboa e pagavam-me mais do que no norte (o próprio sub. de alimentação era o dobro do sub de alimentação no norte), em atividades similares.

    Que os salários em Lisboa são mais elevados é um facto. Claro que parte da diferença pode ser explicada pela elevada concentração de empresas em alguns sectores. No entanto, não explica toda a diferença.

    No que respeita à taxa de desemprego, o valor mensal auferido não tem de estar relacionado com a taxa de desemprego. Felgueiras, por exemplo, é um concelho com taxa de desemprego bastante mais baixa do que a média (por causa das empresas de calçado) e o salário médio é dos mais baixos. Aliás, é um dos sectores em que mais pessoas ganham o SMN ou um valor próximo deste indicador.

  5. Jorge Gaspar diz:

    http://www.distritonline.pt/setubal-e-o-distrito-onde-se-ganha-mais-a-nivel-nacional/

    Segundo esta notícia de 29 de Dezembro de 2014 e com base em dados do INE é Alcochete a cidade onde se ganha mais em média (academia do Sporting) seguido de Sines (porto de sines). Acima da média está ainda Palmela (autoeuropa) e Seixal (academia do Benfica). Seixal não está como pensava em 2° , o que faz todo o sentido uma vez que é um concelho com mais população.

    Os preços na restauração, alojamento ou comércio são superiores, mas também as rendas do imobiliário são superiores. Como os preços de aluguer dos espaços comerciais é superior, os preços praticados pelo comércio têm obviamente de ser mais elevados, o que diga-se, tirando uma ou outra excepção não são assim tão diferentes dos preços praticados noutras regiões Portuguesas.

    Os salários em Lisboa são de modo geral mais elevados, mas existe uma percentagem grande de trabalhadores em Lisboa a ganhar o salário mínimo. Se não tiver experiência ou com pouca experiência ninguém paga em Lisboa 800 euros a um empregado de café. Ninguém, e a maior parte dos casos de jovens que conheço que trabalham em restauração recebem o salário mínimo.

    Quanto ao facto de o desemprego estar ou não estar relacionado com o valor mensal auferido: o desemprego involuntário está claramente relacionado. J. Pinto, no outro dia saiu uma notícia sobre uma loja de roupa que tinha colocado anúncios de currículos na rua, a porta da loja. Muitos dos currículos eram de pessoas licenciadas. A pergunta que te faço é a seguinte: quanto é que achas que aquela loja vai pagar aos que contratar?
    Vai pagar 800? Sabendo que arranja centenas deles por 500 a fazerem exactamente a mesma coisa? Só um gestor louco faria isso.

    J. Pinto eu só costumo colocar aqui comentários quando não concordo com alguma coisa, e por isso comento tão pouco.
    Um bem haja

    • Orlando Silva Cunha diz:

      Eu trabalho no Norte, sei do que falo. Precisamente na área do J. Pinto. Leio as estatísticas da Pordata. Em síntese: este assunto tornou-se ideológico. Para a C. Social e para a “intelligentzia” de Lisboa não interessa para nada a economia. O salário mínimo ( aliás RMMG para efeitos de fácil comparação ) deve ser aumentado porque sim, porque é baixo. É o 10º no ranking da Europa…
      A experiência diz-me que: mais gente com o salário mínimo ou perto dele – mais gente empregada, sobretudo em actividades de mão de obra intensiva como a indústria transformadora ligeira e mais exportações. Por oposição a Indústrias de Aromáticos, Metalurgia, Petróleo, Função Pública, Banca salários mais altos…a conviver com muitos desempregados.
      Salário mínimo em Portugal (ninguém quer falar disto) são 505€ x 14 meses : 12 = 589 €. Custa ao empregador: 505 x 14 : 11 (1 mês de férias) + 23,75% de TSU = 795 €.
      Outra questão que vai dar muita discussão é: antigamente quem tinha um curso superior era rei. Hoje, investiu-se muito, felizmente há muitos jovens com um nível de instrução já muito bom. Desenganem-se: não vai haver empregos para todos em lugares sentados. Terão que fazer como “lá fora” há muito se faz : alguns terão de ir fazer tarefas úteis como apertar parafusos, conduzir máquinas e camiões etc.
      Alguns terão de emigrar – mas já não para exercerem funções humildes como os seu Pais e Avós tiveram que exercer. Se é que há trabalhos humildes…eu sempre entendi que trabalhar é honroso. Com o tempo a lei da oferta e da procura fará com que estas profissões sejam melhor remuneradas.
      Oxalá o meu País dê sinais de juízo e equilíbrio e menos ideologia. As ideologias têm custado ao Mundo milhões de vidas em guerras. Ver Staline e Hitler e certas ideologias religiosas

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