Um grupo de economistas estrangeiros juntou-se ao grupo das 74 personalidades portuguesas que pedem a reestruturação da dívida.

No manifesto publicado pelo jornal Público pode ler-se: “Assim, apelamos a uma política europeia consistente contra a recessão. Apoiamos os esforços dos que em Portugal propõem a reestruturação da dívida pública global, no sentido de se obterem menores taxas de juro e prazos mais amplos, de modo que o esforço de pagamento seja compatível com uma estratégia de crescimento, de investimento e de criação de emprego“.

Eu não sei em que mundo vivem estes senhores, mas se estivessem um pouco atentos teriam verificado que a taxa média de juro da dívida portuguesa é das mais baixas das últimas décadas. No que respeita aos prazos, aqueles economistas (e os signatários do manifesto em Portugal) deveriam ter reparado que o empréstimo da troica cumpriu esse objetivo (não só diminuiu as taxas, como alargou os prazos).

Eu não quero crer que os economistas defendam uma reestruturação unilateral da dívida por parte do devedor (eles que analisem o que se está a passar na Argentina). Além disso, eles sabem que uma reestruturação aberta (com as partes a negociar em praça pública) teria efeitos catastróficos para o devedor.

Os economistas estrangeiros também rejeitam a “austeridade expansionista”. Compreende-se a expressão. Eles não viveram em Portugal nas últimas décadas e por isso não sabem que nas últimas décadas Portugal foi dois países que gastaram mais dinheiro e que tiveram menos crescimento económico. Ou seja, se a “austeridade expansionista” não serve, o “investimento expansionista” servirá? Se o “investimento expansionista” serve, porque é que não serviu nas últimas décadas? Ou seja, porque é que ele não provocou em Portugal um surto de crescimento económico?

Verifico que a lista de signatários é composta por muitas individualidades ligadas a universidades (muitos deles são professores universitários). Será que eles ensinam isto aos seus alunos? Não deixa de ser irónico que sejam os economistas a defenderem gastos superiores às receitas.

About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

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