Como tenho referido muitas vezes neste blogue, Portugal tem de decidir qual é o caminho que quer seguir para sair desta crise: ou sai o euro e segue o seu próprio caminho ou mantém-se no euro e faz os esforços exigidos pelos credores – eu sempre disse que a opção tomada é a mais eficaz e a que melhores resultados traz no médio/longo prazo.

Muita gente defendeu (e ainda defende) que Portugal devia sair do euro e seguir o modelo argentino. A Argentina decidiu renegociar unilateralmente a dívida e desvalorizar a moeda, optando pela estratégia que gera melhores resultados no curto prazo, mas que põe em causa a competitividade da economia e qualidade de vida da sua população.

Se em Portugal uma taxa de juro de 7% ou 8% já é demasiado elevada, imagine que teria de pagar uma taxa de juro de 70% ou 80% caso necessitasse de comprar um frigorífico a crédito.

É por isso que vale a pena ler os seguintes artigos.

Sabe quanto custa pedir um empréstimo para comprar uma televisão na Argentina?

Porque é que os argentinos estão à beira de um ataque de nervos. Outra vez este tango

About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

2 responses »

  1. Há sempre espaço para alguma honestidade, ou reposição um pouco mais aproximada da realidade. A Argentina de modelo não tem nada, aquilo foi, e ainda é, uma sequência aleatória de factos, decisões e muito caos e ainda mais corrupção.

    Vc sabe prefeitamente que nenhum estado civilizado e minimante em controlo nunca faria aquilo. Quer um exemplo de um estado frágil com pouca impregnação e que fez uma saída monetária recentemente, vá ao Malawi, que meados de 2012 desvalorizou 30% tudo correu mal, mas os resultados foram até adientados, com o país a crescer a 6% ao fim de 8 meses, e hoje com um crescimento de 7,5%, com a moeda a valorizar e a inflação a diminuir, mas tudo o que aconteceu mal naquele país teria facilmente sido colmatado com um maior grau de informatização do sistema e mais programação, de fenómenos mais que espectáveis (por exemplo a falta de dinheiro vivo face á impossibilidade de pagar electrónicamente).

    Existem vários modelo para uma saída monetária, a maioria das saídas monetárias não são nenhuma catastrofe. O problema de boa maioria das saídas e deuniões monetárias é o facto de ocorrerem por motivos políticos e não económicos, e geralmente com muito calor e sabor de pseudo-vitória.

    A questão aqui é vc está a falar dos que vitoriosos exigem o não pagamento da dívida, mas esses não querem bem uma desunião monetária, embora seja óbvio que mais cedo ou mais tarde perante um tal cenário e isolamento internacional é necessário voltar a ter moeda para pagar as despesas internas,

    Sair de uma união monetária tem geralmente uma resestruturação forçada, seja ela negociada ou não. É que toda a dívida sobre direito internacional, e isso inclui a dívida governamental passa para a moeda de curso legal, e se desvalorizar exteriormente, ela diminui exteriormente mas mantém-se igual em termos internos (+/-). Acontece ainda que as saidas monetárias mais abruptas criam crises de pagamento internacional, é um tipo de não-pagamento não intencional e isso leva a uma restruturação da dívida negociada, o fenómeno mais corrente é um alargamento do prazo de pagamento da dívida e uma descida dos juros, e também uma substituição juridica da moeda em dívida.

    Na Argentina vc teve um colapso do peg que ligava o peso ao dolar, com óbvia fraude, e para o manter à força (aumentando o valor escritural da moeda) impôs-se o curralito, mas o efeito foi devastador, a confiança no peso desapareceu, as pessoas sem poderem realizar pagamentos electrónicos (por falta de possibilidade física para o fazer) e fazer uso do seu dinheiro revoltaram-se, o governo caiu, e para acabar o curralito, teve de se declarar o fim da paridade, isso teve um efeito devastador sobre a economia Argentina, e o estado e empresas viram-se obrigadas a declarar bancarrota, mas isso foi também um movimento revangista face à corrupção que estava na base dese endividamento pelo governo anterior.

    • J.Pinto diz:

      Muito obrigada pela resposta,

      Não concordo nada com a saída monetária. A saída monetária é uma saída de curto prazo. A desvalorização da moeda não imputa à economia qualquer valor acrescentado. Ou seja, ao desvalorizar a moeda, as empresas de um determinado país não ficam mais competitivas. O que estamos a fazer é baixar os preços no exterior (e aumentá-los no interior), de forma que possamos vender mais. NO entanto, como sabemos, à medida que uma sociedade progride os salários têm tendência a aumentar cada vez mais, anulando a desvalorização da moeda. Po routro lado, o constante controlo da moeda como forma de competir com o exterior traz graves problemas em termos de inflação e as pessoas ficam muito mais pobres – como se vê, em alguns desses países há falta de alimentos essencias.

      A economia não é passível de ser controlada pelo Estado.

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