Fala-se muitas vezes na reconversão profissional, sem se analisar profundamente o verdadeiro significado desta expressão. O seguinte quadro, copiado do relatório mensal publicado pelo IEFP relativo ao mês de agosto de 2013, diz-nos quais são os grupos de profissões com mais e menos desemprego. As últimas colunas indicam-nos os grupos de profissões com uma variação negativa do desemprego registado (criação de emprego); as primeiras colunas dizem-nos quais são as atividades em que a taxa de desemprego mais tem crescido.

Os professores e os quadros superiores da Administração Pública são os dois grupos profissionais em que a variação da taxa de desemprego mais cresceu. Pelo contrário, os operadores de máquinas continuam a ser o grupo profissional que mais emprego tem criado. Valerá a pena continuarmos a apostar em áreas que não têm saída no mercado de trabalho?

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About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

4 responses »

  1. m.elis diz:

    Se vale a pena investir em áreas que o mercado não absorve? Eu, responderia que não, mas vale a pena refletir sobre essa questão.

    Eu, de quando em vez, até me questiono se vale a pena estudar, tirar um curso superior. E analisando os dados apresentados, parece que não, pois o desemprego afeta mais os portadores de habilitações académicas superiores.

    Digo, de quando em vez, porque na maioria das vezes, devo confessar, que acho que vale a pena estudar. Para realização pessoal, para desenvolver o raciocínio, por muitas razões, mas é difícil transmitir isso aos jovens, que há não muito tempo estudavam com um objetivo, o emprego, e agora, dizem eles, estudam para o desemprego.

    O que fazer, então?

    Eu costumo dizer: lutar, não deixar cair os braços, não estar à espera que os outros façam por nós, obter formação profissional diversificada e, de preferência, gratuita, não ter peneiras de Dr. mas também não aceitar qualquer coisa, manter a dignidade, estar a par do meio envolvente………tirar um curso. Qual? Já que nenhum garante um emprego, tirar um curso de que se goste partindo do princípio que terá que se ser polivalente!

    Mas não sei se tenho razão!

    • J.Pinto diz:

      Bom dia, m. elis,

      Ao contrário do que muitas vezes é propalado na comunicação social por causa da falta de alunos no superior, eu digo: ainda bem. Eu considero que cada vez um curso superior vale menos, exceto em algumas áreas muito bem selecionadas.

      Eu conheço áreas em que há falta de pessoas qualificadas (não estou a falar de cursos superiores, mas cursos técnicos), por exemplo: design do calçado, têxtil, vestuáruo, etc.

      Não sei se é verdade, mas ouvi várias pessoas a dizer (e já li reportagens sobre essa matéria) que há falta de engenheiros têxteis. Eu acredito que a maior parte dos cursos superiores valem 0… nós, os portugueses, temos muito a “mania” do Sr. Doutor.. muitas vezes lembro-me de uma notícia que uma vez deu na televisão em que a jornalista começou a frase assim: “houve um encontro entre o Engenheiro Sócrates e a Sra, Merkel ….” O Engenheiro e a Sra….

  2. m.elis diz:

    Olá, boa tarde!

    Também concordo, há cursos superiores que de superiores só têm o nome. E aqui os vários governos têm que se deixar de interesses pouco transparentes. Não é ao fim de um curso que se diz que ele não vale nada. Então, não é o Ministério da Educação que o homologa? Há muitos compadrios………..

    Não sei se há falta de engenheiros têxteis mas, pelos contactos com por vezes mantenho com o IEFP, eles confirmam que o têxtil está a ser revitalizado. Vamos ver.

    Quanto aos cursos intermédios, que seriam, em princípio, os do politécnico e substituíram (mal) os institutos comerciais e industriais, criaram uma grande conclusão: ambos dão licenciatura, mestrados, etc. Então com Bolonha instalou-se ainda mais a confusão do que é o quê.

    Pensando no imediato e no concreto, interrogo-me com o que fazer com alunos de 15, 16 anos que estão nos cursos profissionais. As empresas também não os querem. Posso assegurar que em termos de formação técnica são melhores que o politécnico, onde não aprendem mais, mas falta-lhe outra formação, a que não vem nos livros, que falha totalmente. Os pais, por diversas razões, demitiram-se de educar os seus filhos e as empresas não existem para isso!

    Há depois os outros, que não conseguem fazer um curso profissional. Que alternativas há? Quem convence os próprios e as famílias que eles têm que aprender fazendo e “não dão mais”? É mesmo muito difícil e levará anos a verificar-se uma mudança.

    Como diz, e bem, temos a mania do Dr. , que ainda quer dizer muito também para as empresas, que eliminam de imediato os currículos dos que não têm determinadas habilitações académicas. Ficam imediatamente impedidos de ser, pelo menos, entrevistados.

    Se as diminuições dos alunos no ensino superior fosse só pela falta de qualidade dos “cursos” ministrados, estaria totalmente de acordo, mas nesses nºs que a comunicação social fornece estão também outros, jovens promissores, que fariam (e com certeza irão fazer, nem que seja mais tarde) qualquer curso exigente com sucesso. E aí está uma grande falha na parte social deste governo. Há quem não deva ser apoiado, mas há os outros, que merecem e devem ser apoiados (há que definir condições) não se podendo generalizar porque isso será sempre injusto.

    Para comprovar que sei o que estou a dizer: sempre estudei com bolsas de estudo, fiz 1º um curso intermédio ao mesmo tempo que tinha um part-time (eram uns trocos, mas precisava de comer), e paguei muitas dívidas de livros, quarto, alimentação……..quando terminei e encontrei trabalho. Sem apoio nunca tinha sido possível! Foi do Estado e de gente amiga, a quem terei sempre uma dívida de gratidão. No entanto, acho que com os impostos que pago já não há débito monetário, até já sobra para ajudar outros como eu🙂

    Olhando para o texto que escrevi, acho que me excedi! As minhas desculpas, pois não dei conta!

    m.elis

    • J.Pinto diz:

      Bom dia, M. elis,

      As suas opiniões são sempre muito bem vindas…

      Relativamente a este assunto, nomeademente a questão de o Estado apoiar os que realmente querem mas não podem estudar, concordo, na generalidade, consigo.

      O ensino técnico e profissional são os que melhor respondem às necessidades das empresas; o técnico já desapareceu, mas eu ainda tenho esperança de que seja novamente implementado. Conheço cada vez mais casos de pessoas que tiram licenciaturas e mestrados e me relatam que é uma quase perda de tempo: muita teoria e pouca qualidade e aplicabilidade prática. As empresas necessitam de pessoas que façam, que saibam fazer…

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