Há vida para além do défice?

Esta é uma das frases mais vez repetida pelas pessoas que são contra a austeridade e o controlo das contas públicas. Quando uma pessoa tem constantes défices (despesas superiores às receitas) e precisa dos credores para que eles o financiem, o devedor fica com a autonomia limitada. Ao contrário da mensagem que querem passar, os credores não impõem sacrifícios ao devedor por maldade, mas porque querem que o devedor mude de vida conseguindo pagar o que lhe deve.

Podemos então dizer que os países fortemente endividados são menos autónomos e são obrigados a seguir as imposições dos credores.  É exatamente esta a atual situação portuguesa. O aumento da autonomia terá de passar o mais rapidamente possível pela nossa sustentabilidade financeira. Ou seja, quanto mais depressa conseguirmos equilibrar as nossas contas mais depressa Portugal conseguirá readquirir a sua autonomia.

Há políticos e economistas que defendem uma alternativa diferente: deixamos de pagar a nossa dívida (ou reestruturamos à força) e voltamos ao escudo. Convém salientar que a reestruturação da dívida terá como consequência o afastamento de Portugal dos mercados financeiros por muitos anos. Ou seja, depois de lhe pregarmos um calote, tão cedo os credores não estarão disponíveis para nos continuarem a emprestar. Neste caso, Portugal terá de viver décadas sem défice (devo referir que nos últimos 38 anos de democracia nunca atingimos tal desígnio).

A saída do euro, na minha opinião, não traz qualquer benefício no médio/longo prazo. Trata-se de uma medida de curto prazo. Além disso, a saída do euro e o retorno ao escudo trariam aos portugueses uma diminuição muito significativa do poder de compra. Ou seja, nem a saída do euro nos traria uma qualidade de vida superior.

Em termos económicos, a saída do euro levaria algumas empresas a apostar novamente na competição pelo preço baixo (sem conseguir vencer, visto que há muitos países que conseguem produzir a um preço muito mais baixo do que nós), contrariando a estratégia do valor acrescentado e de diferenciação que têm seguido mais recentemente.  

About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

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