Os portugueses gostam do apoio do Estado, é o Estado que tem o dever de orientar os portugueses. Faz parte da nossa cultura. Esta histeria em volta do aumento do salário mínimo mostra muito bem esta cultura. Vítor Bento, num artigo publicado hoje no Diário Económico, põe o dedo na ferida. Não são apenas os trabalhadores e os sindicalistas a defenderem o aumento do salário mínimo, os próprios patrões esperam uma intervenção do Estado nesta matéria.

Sobre o aumento do salário mínimo já emiti aqui a minha opinião: não podemos olhar para a economia portuguesa como um todo; há empresas que podem e devem aumentar o salário mínimo; há empresas que não têm capacidade financeira para aumentar o salário dos seus trabalhadores. Deviam ser os patrões a tomar a iniciativa de aumentar os salários dos seus funcionários. Curioso é que os próprios patrões esperam que seja o Estado a obrigá-los a aumentar o salário dos seus trabalhadores. Por causa desta imposição, as empresas mais débeis sairão prejudicadas, na medida em que verão os custos acrescer numa altura em que não conseguem sequer sustentar os atuais.

About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

8 responses »

  1. e como advoga sempre, as que não criam valor para pagar salários mínimos miseráveis, saem de cena e que venham outras que criem melhor emprego

    sim o mercado não funciona sempre venha o estado muito bem aumentar o salário mínimo

    • J.Pinto diz:

      Nuno,

      O problema de aumentar o salário mínimo é que há empresas, que vivem exclusivamente do consumo interno, que terão de fechar caso sejam forçadas a aumentar os custos.

    • Então o J.Pinto não é a favor de ser o mercado a escolher os mais aptos ou vai responder que é uma ingerência do estado? Se me for responder isso então não devia haver uma única lei e nesse caso anarquismo para a frente. Empresas que funcionam sem valor adicional e simplesmente com base no salário mínimo não me parece que seja o que queremos para o nosso país.

      • J.Pinto diz:

        Sou claramente a favor do livre mercado. As empresas que não conseguirem competir deve sair de cena. Mas se o estado está a impor algo às empresas não podemos estar a falar de mercado livre. Não é o mercado mas o Estado que está a impor pagamentos aos comerciantes.

        Depois, também foi o Estado que pôs algumas empresas em situação débil, ao endividar-se demais e por causa disso ter aumentado os impostos e diminuído o poder de compra às pessoas, que originou a tal situação débil.

        No fundo, toda esta situação foi criada pela intervenção do Estado e não pelo livre mercado.

    • Chegou exactamente onde queria que chegasse, isso não é querer mercado livre é querer mercado desregulado o problema do neo liberalismo

      • J.Pinto diz:

        Não sei o que o Nuno entende por mercado desregulado. Tem de me dar a sua definição de mercado desregulado. Se, para o Nuno, mercado desregulado é: atribuir ao Estado apenas as funções principais (segurança, justiça e acesso a outros serviços essenciais); não intervir na economia favorecendo determinadas empresas e sectores; não obrigar as pessoas a escolherem apenas o que o Estado quer; etc. Neste caso, se esta é a definição de mercado desregulado, então eu sou a favor desse tal neoliberalismo.

        Eu sou a favor do neoliberalismo, palavra que eu não sei o que significa, que é exatamente o contrário do que acontece em Portugal. Portugal tem uma dívida pública de mais de 120% e gasta perto de metade, todos os anos, do que produz.

        O meu neoliberalismo defende que o Estado devia gastar muito menos, deixar as pessoas decidirem o seu próprio futuro (há quem chame a isto democracia). Veja como neste artigo até os patrões defendem a supremacia intelectual do Estado, Estado que é governado pelas pessoas que nos trouxeram até esta crise. É contraditório, mas os portuguesas ao mesmo tempo que criticam os políticos atribuem-lhes e pendem-lhes mais poderes (se eu defender mais despesa e mais intervenção do Estado estou a atribuir-lhes mais poderes).

      • O que mais tem havido desde os anos 80 é desregulação e não o contrário. O j pinto confundo gasto com responsabilidade. Os estados desde os anos 80 tem fugido da sua responsabilidade principalmente regulamentória e o salário mínimo é uma regulamentação, e têm erradamente entrado demasiado no gasto, ou seja uma dualidade que não é carne nem é peixe, que só tem acontecido por causa de discursos deste neo liberais mas como depois querem vencer eleições, não o fazem na totalidade. Mas por causa de discursos perigosos como este. J pinto este post foi muito mau e pior contra o que acredita porque é ele também dual, nem carne nem peixe.

  2. J.Pinto diz:

    Nuno, não diga que Portugal é o baluarte das políticas neoliberais. Vou-lhe dar alguns números: Portugal, depois do 25 de abril, gastou sempre mais do que tinha (despesas superiores a receitas = défice); o Estado gasta todos os anos perto de 50% da sua riqueza; a dívida pública já ultrapassa 120% do PIB; os recursos dos portugueses foram reencaminhados pelo estado para os produtos não transacionáveis (o liberalismo não defende esta intervenção do Estado); etc. Portugal é dos poucos países europeus onde não há um partido liberal com assento parlamentar; Portugal sempre foi governado por partidos que gostam do Estado (CDS, PSD e PS).

    Não sei qual é a sua definição de neoliberal.

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