Há determinados termos económicos que, por mais fáceis que sejam de explicar, algumas pessoas não conseguem perceber, seja porque ninguém lhes explicou ou porque não querem entender.

Todos sabemos que a dívida pública portuguesa tem crescido desmesuradamente nos últimos anos, razão pela qual tivemos de pedir auxílio financeiro à troica. A dívida pública (dívida do Estado) resulta essencialmente da acumulação de défices orçamentais. Nestes 38 anos de democracia, no final de cada ano, Portugal nunca teve contas equilibradas; as despesas do Estado foram sempre superiores às receitas. A diferença entre as despesas e as receitas foi coberta essencialmente pela emissão de dívida, ou seja, pelo recurso a empréstimos. O Estado foi-se endividando para pagar as despesas que não conseguia pagar através das receitas geradas.

A dívida pública, desde que dentro de limites aceitáveis, até nem é negativa, mas tem de ser proporcional ao crescimento económico de cada país. Dito de outra forma, um país que pede muito dinheiro emprestado tem de gerar receitas (que são obtidas através de um maior crescimento económico) suficientes para pagar a dívida. Olhando essencialmente para os últimos 12 ou 13 anos verificamos que o crescimento do PIB português foi muito ténue, enquanto a dívida galgou todos os limites aceitáveis.

Foi exatamente por isto (crescimento de dívida muito superior ao crescimento económico) que os nossos credores (os que nos emprestam dinheiro) deixaram de confiar na nossa capacidade de reembolsar os empréstimos e começaram a não nos emprestar mais dinheiro; os que ainda nos emprestavam exigiam elevadas taxas de juro.

Posto isto, facilmente se compreende que o Estado não pode continuar a gastar mais do que as receitas que consegue arrecadar através dos impostos que pagamos. Há muitos economistas e políticos a dizer que o problema de Portugal está na economia. Se Portugal crescesse economicamente este problema não existia.  É verdade. No entanto, o problema económico português é estrutural, significando que não se resolve de um dia para o outro – vejam como nem o excesso de investimento público dos últimos anos foi capaz de tirar Portugal deste marasmo económico. Antes pelo contrário, agravamos o problema financeiro endividando-nos ainda mais.

A estrutura económica demora anos ou décadas a ser alterada significativamente e depende exclusivamente da atitude dos investidores portugueses e estrangeiros que estejam interessados em investir em Portugal.

About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

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