Muitas pessoas continuam sem perceber por que razão Portugal vive uma das maiores crises, talvez a maior, de que há memória. Portugal tem duas crises profundas: uma financeira (falta de dinheiro) e outra económica. Não haja dúvidas que a crise económica provocou a crise financeira. Se Portugal crescesse 3% ao ano, de certeza que nesta altura ninguém falava na falta de dinheiro, independentemente de se ter gasto durante muito tempo dinheiro que não existia.

A economia não cresce porque as opções políticas tomadas pelos nossos governantes ao longo dos últimos anos não foram as melhores. Aquelas políticas não potenciaram o crescimento e a competitividade da nossa economia. Para não cometermos os mesmos erros é necessário fazer uma análise das medidas tomadas pelos nossos governantes que travaram o crescimento económico.

Quem é que pode tornar a economia portuguesa mais forte? As empresas. Então, porque é que as empresas portuguesas não são competitivas? Serão os portugueses menos capazes do que os outros povos? Não creio. As medidas políticas tomadas pelos nossos governos não permitiram extrair toda a criatividade e capacidade de desenrasque do povo português. Durante muito tempo, a economia portuguesa foi protegida da concorrência internacional, deslocando as empresas portuguesas para a produção de bens e serviços destinados ao mercado interno. Houve muitos incentivos à criação de empresas direcionadas para o mercado interno, seja através de subsídios, seja através da manutenção de um nível de investimento e consumo públicos que não era compatível com a riqueza gerada. Sabemos, no entanto, que as empresas portuguesas quando são obrigadas a concorrer com as melhores empresas mundiais até são capazes de se posicionar entre elas. Há muitos casos sectores de atividade que hoje são um exemplo e que se tornaram mais competitivos a partir do momento em que o mercado foi completamente liberalizado.

Se o Estado for um aliado dos empresários, criando-lhes condições para o desenvolvimento dos seus projetos, a economia portuguesa pode sair do marasmo em que se encontra. Sem necessitar de gastar muito dinheiro, até porque não o tem, o Estado pode facilitar a vida a quem quer investir. Algumas medidas que podem ajudar a investir mais em Portugal: simplificação fiscal; redução das taxas de impostos; desburocratização de processos, incluindo a diminuição dos licenciamentos e dos tempos de espera pelos mesmos (onde é que para a lei do licenciamento zero?); liberalização de alguns sectores que continuam protegidos pelo Estado; adaptar algumas organizações estatais às necessidades das empresas (IAPMEI, etc.); criar um gabinete de apoio ao empresário, que o possa ajudar a resolver problemas relacionados com aspetos legais, internacionalização e consultoria empresarial; incentivar e criar condições para que as escolas possam adaptar a sua oferta formativa às reais necessidades das empresas; introduzir no ensino uma disciplina que lecione o que é o empreendedorismo e quais as suas vantagens; etc.

About J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

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