Mais do mesmo

Esta semana fiquei a saber que existe um “Observatório sobre crises alternativas”. Visitei o sítio na internet, procurei saber qual é o seu contributo para a sociedade e quem são os seus contribuidores. Trata-se de um grupo de pessoas que vai fazendo uns estudos sobre a economia, o mundo do trabalho, a atividade financeira, o Estado, etc., baseados em opiniões e apinhados de subjetividade.

O último estudo procurou analisar o mercado de trabalho em Portugal nos últimos anos. A conclusão a que chega é a esperada: existe cada vez mais precariedade no trabalho (poucos contratos permanentes, trabalho mal pago e trabalhadores com cada vez menos direitos). As soluções também são sempre as mesmas: é necessário lutar por melhores condições.

Não existe uma palavra para as empresas (as que criam o emprego); ninguém quer saber se existem condições para que os empresários arrisquem e invistam em negócios que considerem susceptíveis de criarem mais valor acrescentado.

O painel é constituído por sindicalistas, políticos, deputados, sociólogos, jornalistas, professores e afins. Poucos (ou nenhum!) devem saber do que escrevem. A maior parte deles nunca deve ter pago um salário na vida. A nossa sociedade está repleta de pessoas que exigem dos outros o que nunca foram capazes de fazer – exigem bons empregos, mas nunca foram capazes de criar um único emprego. Os nossos políticos também padecem do mesmo mal: legislam (muitas vezes em quantidades exageradíssimas) sobre matérias que desconhecem completamente.

D. Sebastião

Em Portugal, em pleno século XXI e quase meio século depois de ter morrido D. Sebastião, ainda se acredita no sebastianismo. Os portugueses estavam pessimistas e precisavam de afetos, até que aparece um D. Sebastião (Marcelo Rebelo de Sousa) e tudo mudou.

Empreender

De acordo com o dicionário da Priberam, o empreendedor é “aquele que empreende; que é animoso para empreender; trabalhador; amigo de ganhar a vida (traçando empresas novas)”. Esta definição que acabei de escrever refere-se ao significado, em língua portuguesa, de empreendedor.

Do ponto de vista menos formal, empreendedor é aquele que, com a sua sagacidade e criatividade pretende transformar uma ideia num negócio lucrativo – há ideais que não visam o lucro, mas pretendo focar mais as lucrativas. Um negócio é algo incerto e por isso arriscado. Um empreendedor nunca pode ter a certeza de que a sua ideia vai ter sucesso, uma vez que ele depende de muitas variáveis incontroláveis pelo empreendedor. Além disso, a escassez de recursos (financeiros, humanos, naturais e materiais) limita a implementação da ideia.

Como se verifica, existem muitas barreiras que limitam a criatividade e a implementação de uma ideia por parte do empreendedor. O empreendedor é aquele que, com criatividade e persistência, consegue contornar todas essas dificuldades e não desiste. É especialmente por isso que não compreendo a animosidade que por vezes se verifica na nossa sociedade contra os empreendedores. Os próprios governos, que deveriam apoiar os empreendedores, já que é deles que depende o desenvolvimento do pais, passam a vida a criar-lhes ainda mais barreiras.

Portugal no seu pior

Não consigo encontrar muitas palavras positivas para descrever as provas de aferição que alguns alunos do ensino básico têm de realizar. Aquelas provas aferem muito pouca coisa – excluindo a necessidade de mostrar que existe um instrumento que avalia a aprendizagem dos alunos e a respetiva execução dos programas por parte da escola. Mas é apenas isso: um instrumento que serve para mostrar que existe avaliação.

Como é que um instrumento pode avaliar alguma coisa se a parte mais importante (os alunos) não lhe atribui qualquer importância? Se até as crianças, que são mais susceptíveis de acreditarem em histórias fantasiosas, sabem que as provas de aferição não contam para nada, e por isso nada se esforçam, como é que um país inteiro, incluindo profissionais que deveriam ter conhecimentos e capacidades de interpretação acima da média (como, por exemplo, os professores e o próprio ministério da educação) são capazes de ignorar o óbvio?

Amadores encartados…

Leio na comunicação social que o crescimento do PIB está relacionado com o aumento das exportações. De igual modo, na mesma comunicação social, um elemento da OCDE relaciona o aumento do PIB com o aumento do salário mínimo. Ainda na mesma comunicação social, o aumento da competitividade das empresas está relacionado com o aumento da competitividade nos custos…

Como? Então, qual é a relação entre o aumento das exportações e o aumento do salário mínimo? Qual é a relação entre o aumento do salário mínimo e o aumento da competitividade através dos custos?

De quem é a responsabilidade?

Em Portugal, a política mete dó. Olhamos para as notícias relacionadas com o crescimento da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2017 (cresceu cerca de 2,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior) e vemos os políticos a atribuírem a si e às suas políticas os resultados obtidos pelos milhares de empresários – são eles os principais responsáveis pelo andamento da economia portuguesa.

O governo e os partidos que o apoiam notam que o crescimento se deve às suas políticas; a oposição refere que o crescimento é fruto das políticas adotadas nos últimos anos. Não percebem que este crescimento tem várias causas: outros países também estão a crescer mais do que no passado, influenciando a economia portuguesa; apesar das contrariedades impostas pelos governos nos últimos anos, as empresas portuguesas têm vindo a fazer um trabalho exemplar na conquista de novos mercados; as empresas e os produtos portuguesas estão mais competitivos do que nunca… Os jornalistas também percebem pouco de economia e dão voz aos políticos que, interessadamente, vão dizendo vacuidades atrás de vacuidades.

Basta olhar para o que este governo quer fazer ao alojamento local para percebermos que os governos só sabem complicar a vida a quem quer investir.

Jogar para ganhar

Há os que jogam para ganhar e há os que jogam para não perder muitas vezes. Deve ser por isso que Vítor Oliveira não aceita treinar qualquer equipa. Sou adepto do Futebol Clube do Porto e por isso gostaria que o meu clube contratasse um treinador que gosta de ganhar; que não quer jogar para não perder. Perceberam?

É por isso que, neste momento conturbado e difícil para o Porto gostaria que Vítor Oliveira fosse o escolhido. Asneira? Talvez, mas pelo menos aposto em quem tem um historial de sucesso para mostrar. Percebem?

É necessário tê-los no sítio para apostar em alguém que não seja do “mainstream”. Será mais arriscado apostar em quem já ganhou muita coisa (apesar de ter treinado em clubes mais pequenos) ou apostar em quem nunca ganhou nada (como treinador)?

Merecemos melhor

Considero que a comunicação social, principalmente a que é financiada pelos portugueses, tem o dever de falar e promover os portugueses de sucesso, nomeadamente os que concorrem além fronteiras. Felizmente, muitos portugueses, em vários sectores de atividade (vinho, calçado, azeite, têxteis, metalúrgica, mobiliário, futebol, etc.), têm dado cartas lá fora e por isso devem ser elogiados.

No entanto, a comunicação social tem entendido que os feitos de alguns devem ser enaltecidos, às vezes até à exaustão, enquanto os outros são esquecidos.  Basta olhar para o tempo de antena que a vitória portuguesa no festival da canção teve e compará-lo com o tempo de antena dado às vitórias dos portugueses nalguns dos sectores referidos acima.  Infelizmente, não é apenas a comunicação social que padece deste mal: os próprios políticos, de forma unânime, apressaram-se a ovacionar o Salvador Sobral, mas todos os dias se esquecem de saudar os portugueses que, cá dentro e lá fora, contribuem de forma decisiva para afirmar Portugal entre os melhores, nas diversas áreas.

De quem é o mérito?

Os comentadores económicos que opinam nos meios de comunicação social portugueses congratularam-se com os dados mais recentes da economia portuguesa – no primeiro trimestre do ano, o PIB português cresceu 2,8% em termos homólogos. Os dados apresentados são positivos e por isso devem ser analisados.

Apesar disso, os mesmos comentadores, que em muitos casos pouco percebem do assunto, desde logo associam os resultados à atuação do governo. Num mundo globalizado em que vivemos, no curto prazo, os governos pouco podem fazer para tornar o país mais competitivo. No longo prazo, as políticas governamentais poderão ter mais alguma influência no crescimento, uma vez que também é através delas que os investidores decidem onde e quando investir.

O mérito dos números é das empresas portuguesas que têm de ser cada vez mais competitivas se quiserem sobreviver e ter sucesso. O aumento das exportações que vem sendo verificado nos últimos anos deve-se ao arrojo das empresas portuguesas, procurando sistematicamente novos mercados e novos clientes.

Não acreditem na sustentabilidade do sistema da Segurança Social

Como já toda a gente percebeu, mesmo que os políticos continuem a dizer o contrário, o nosso sistema de Segurança Social não é sustentável nos moldes atuais. É por isso que os governos têm vindo a fazer algumas alterações no sistema, tanto na contenção da despesa (aumento da idade da reforma, diminuição do valor a receber pelos aposentados em comparação com o último salário, etc.) como do lado da receita (consignação de IVA…). Agora, o governo, com o apoio dos partidos da esquerda, prepara-se para aumentar as receitas da Segurança Social, alargando as fontes de financiamento.