PME

Sabia que mais de 99% das empresas existentes em Portugal são micro, pequenas e médias empresas (PME)? As PME são responsáveis por cerca de 80% do emprego em Portugal e contribuem com mais de 60% do VAB (Valor Acrescentado Bruto).

Intervenção dos bancos centrais

aqui tinha advertido para as consequências negativas da intervenção dos bancos centrais na economia. O Tiago Moreira Salgado escreveu um artigo em que expressa argumentos semelhantes.

Aldrabices

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defende que algumas despesas (por exemplo, despesas relacionadas com a educação) não devem contar para o défice. O que o presidente da Comissão Europeia defende é que os países possam gastar à vontade em algumas áreas, ignorando o equilíbrio financeiro e as responsabilidades futuras.

Imagine uma pessoa que ganha 1000€ por mês, gastando 600€ na renda de casa para habitação, 300€ em educação e 400€ em despesas familiares. Esta pessoa tem um défice mensal de 300€ (1000-600-400-300). De acordo com a teoria do Jean-Claude Juncker, as contas deveriam mostrar valores equilibrados – 0% de défice (1000-600-400)-, uma vez que as despesas de educação não deveriam contar. Para o nível de despesa apresentado, esta pessoa teria de pedir emprestado ao banco os 300€ mensais, apesar de nas contas mensais o saldo ser nulo.

Os políticos nacionais, na ânsia do poder, prometem o que não podem cumprir. Não é por acaso que em mais de 40 anos de democracia Portugal nunca conseguiu chegar ao final de um ano com as contas equilibradas (as despesas superaram sempre as receitas), acumulando défices atrás de défices, que se traduziram em mais dívida e mais encargos futuros. Os políticos dependem da vontade popular para serem eleitos e os eleitores tendem a votar em quem mais lhes promete (apesar do irrealismo da maior parte das medidas). A função da Comissão Europeia deveria ser outra; deveria exigir rigor nas contas dos países. O que me preocupa é que nestas instituições supranacionais também haja quem defenda o caminho da ilusão e da criatividade contabilística. Enganar as pessoas, escondendo a real situação de um país, não deveria lembrar a nenhum político; é inadmissível para o presidente da Comissão Europeia.

Taxas de juro negativas

É uma das leis mais básicas e mais unânimes da economia: é a poupança que cria investimento. Antes de investir é necessário poupar. Se não houver poupança, não poderá haver investimento.

Por causa das baixas taxas de juro oferecidas pelos bancos (alguns já cobram taxas de juro pelos depósitos), as pessoas arranjam alternativas aos depósitos nos bancos, nomeadamente guardando dinheiro em casa. Guardar dinheiro no cofre é improdutivo para a economia, uma vez que o dinheiro não fica disponível para que outros possam investir.

A interferência dos bancos centrais no sistema monetário (fazendo baixar as taxas de juro) pode ter consequências significativas na economia. Na tentativa de tornar mais atrativo o investimento (criando condições mais favoráveis de financiamento), os bancos centrais podem estar a criar um problema mais grave, traduzido pelo desincentivo à poupança e na consequente diminuição do investimento. Além disso, a estratégia seguida pelos bancos centrais não tem sequer mostrado os resultados desejados (nem a inflação tem aumentado como desejado – é esse um dos objetivos desta estratégia – nem a economia tem recuperado o suficiente).

Outras leituras:

Alemães estão a tirar dinheiro dos bancos e a guardá-lo em casa

Empresas suíças põem dinheiro em cofres devido às taxas de juro negativas

 

Em Portugal, a liberdade é cada vez mais difícil

“Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.” – Alçada Baptista

Modelo dos altos salários

Octávio Teixeira, antigo líder do PCP, diz que Portugal deveria “proceder a uma desvalorização cambial promotora da competitividade-preço da produção nacional”. Ou seja, para Portugal ser mais competitivo deveríamos sair do Euro e desvalorizar a nova moeda para conseguirmos ter preços mais baixos relativamente ao exterior e assim sermos mais competitivos. Mais à frente refere que “temos de abandonar definitivamente o modelo dos baixos salários”. Se quer competir pelo preço, é claro que o modelo só pode ser o dos salários baixos. Até pode ser o modelo dos altos salários (em termos nominais), mas será sempre o modelo dos baixos salários (em termos reais). Ver o exemplo da Venezuela.

O modelo dos altos salários está associado a ganhos reais de competitividade por parte das empresas e não deve estar dependente de artimanhas dilatórias provocadas pelos governos, cujos benefícios não irão além do curto/médio prazo. O aumento da competitividade das empresas é uma tarefa que deve estar encarregue aos empresários.

Quotas na administração da CGD

Numa sociedade moderna não faz qualquer sentido a existência de quotas. A administração da Caixa Geral de Depósitos, como qualquer outra, deveria ser nomeada tendo em conta o mérito. Se quiséssemos que toda a gente estivesse representada, então a administração da Caixa teria de representar toda a gente (uma quota para os brancos, outra para os negros; uma quota para os católicos, outra para os não católicos; uma quota para os heterossexuais, outra para os homossexuais; uma quota para a região Norte, outra para a região Sul…).

O mais estranho é que seja o BCE a impor as quotas. As instituições europeias, mais do que quaisquer instituições nacionais, deveriam incentivar a nomeação pelo mérito.

Fator preço

De acordo com este estudo, o que mais atrai os consumidores portugueses são os preços baixos. Além de ser uma característica da sociedade portuguesa (a valorização do custo, para lá dos outros fatores), esta opção também é consequência do fraco poder de compra em Portugal.

Portugal é um mercado pequeno e por isso não sobra muita gente que valorize preferencialmente outros fatores na compra. Este estudo é um alerta para as empresas que pretendam vender os seus produtos exclusivamente aos portugueses.

Contrafogo

Nunca fui bombeiro (nem tenho formação/experiência na área), mas gostava de saber se os nossos bombeiros utilizam, com frequência, o contrafogo para extinguir um incêndio. Pelo que tenho lido sobre o assunto, parece-me o instrumento mais correto e mais eficaz no combate aos incêndios.

Definição de contrafogo, de acordo com o dicionário da Porto Editora: “fogo controlado que se provoca à frente de um grande incêndio, de modo acausar a interação entre ambos e a alterar a direção da propagação ou a extinção desse incêndio”

Desvalorização da moeda, inflação e saída do Euro

Na Venezuela, o Nicolas Maduro prepara-se para aumentar o salário mínimo em 50%. Ademais, de acordo com o FMI, em 2016 os preços aumentarão cerca 720%. O que é que acontece ao salário efetivo quando a inflação aumenta a uma taxa muito superior ao salário? O salário efetivo diminui e o poder de compra degrada-se.

Não sei os defensores da saída de Portugal do Euro têm isto em mente, mas deveriam pensar duas vezes nas consequências antes de abrirem a boca para dizerem meia dúzia de disparates.