Em Portugal, a liberdade é cada vez mais difícil

“Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.” – Alçada Baptista

Modelo dos altos salários

Octávio Teixeira, antigo líder do PCP, diz que Portugal deveria “proceder a uma desvalorização cambial promotora da competitividade-preço da produção nacional”. Ou seja, para Portugal ser mais competitivo deveríamos sair do Euro e desvalorizar a nova moeda para conseguirmos ter preços mais baixos relativamente ao exterior e assim sermos mais competitivos. Mais à frente refere que “temos de abandonar definitivamente o modelo dos baixos salários”. Se quer competir pelo preço, é claro que o modelo só pode ser o dos salários baixos. Até pode ser o modelo dos altos salários (em termos nominais), mas será sempre o modelo dos baixos salários (em termos reais). Ver o exemplo da Venezuela.

O modelo dos altos salários está associado a ganhos reais de competitividade por parte das empresas e não deve estar dependente de artimanhas dilatórias provocadas pelos governos, cujos benefícios não irão além do curto/médio prazo. O aumento da competitividade das empresas é uma tarefa que deve estar encarregue aos empresários.

Quotas na administração da CGD

Numa sociedade moderna não faz qualquer sentido a existência de quotas. A administração da Caixa Geral de Depósitos, como qualquer outra, deveria ser nomeada tendo em conta o mérito. Se quiséssemos que toda a gente estivesse representada, então a administração da Caixa teria de representar toda a gente (uma quota para os brancos, outra para os negros; uma quota para os católicos, outra para os não católicos; uma quota para os heterossexuais, outra para os homossexuais; uma quota para a região Norte, outra para a região Sul…).

O mais estranho é que seja o BCE a impor as quotas. As instituições europeias, mais do que quaisquer instituições nacionais, deveriam incentivar a nomeação pelo mérito.

Fator preço

De acordo com este estudo, o que mais atrai os consumidores portugueses são os preços baixos. Além de ser uma característica da sociedade portuguesa (a valorização do custo, para lá dos outros fatores), esta opção também é consequência do fraco poder de compra em Portugal.

Portugal é um mercado pequeno e por isso não sobra muita gente que valorize preferencialmente outros fatores na compra. Este estudo é um alerta para as empresas que pretendam vender os seus produtos exclusivamente aos portugueses.

Contrafogo

Nunca fui bombeiro (nem tenho formação/experiência na área), mas gostava de saber se os nossos bombeiros utilizam, com frequência, o contrafogo para extinguir um incêndio. Pelo que tenho lido sobre o assunto, parece-me o instrumento mais correto e mais eficaz no combate aos incêndios.

Definição de contrafogo, de acordo com o dicionário da Porto Editora: “fogo controlado que se provoca à frente de um grande incêndio, de modo acausar a interação entre ambos e a alterar a direção da propagação ou a extinção desse incêndio”

Desvalorização da moeda, inflação e saída do Euro

Na Venezuela, o Nicolas Maduro prepara-se para aumentar o salário mínimo em 50%. Ademais, de acordo com o FMI, em 2016 os preços aumentarão cerca 720%. O que é que acontece ao salário efetivo quando a inflação aumenta a uma taxa muito superior ao salário? O salário efetivo diminui e o poder de compra degrada-se.

Não sei os defensores da saída de Portugal do Euro têm isto em mente, mas deveriam pensar duas vezes nas consequências antes de abrirem a boca para dizerem meia dúzia de disparates.

Acerca do investimento

Imagine que comprou uma casa degradada no centro histórico de uma cidade portuguesa, com o objetivo de a reabilitar e de a arrendar a turistas (alojamento local). Como bom visionário que é, apercebeu-se de que havia cada vez mais turistas naquela cidade e que a compra da casa para arrendar a turistas era vista como uma excelente oportunidade de investimento, com expectativas de um retorno fácil. Por isso decidiu gastar umas centenas de milhar de euros na compra e reabilitação da dita casa.

O que é que aconteceu entretanto? O governo decide obrigá-lo a reservar uma parte da sua casa para arrendamento habitacional, porventura bem menos lucrativo. É desta forma que o Estado pretende incentivar o investimento?

Evolução do número de empregados no segundo trimestre de cada ano

Para justificar melhor o penúltimo artigo, deixo a hiperligação para um gráfico que mostra a evolução do emprego em Portugal nos últimos anos. Podemos verificar que, a partir de 2012, o emprego tem vindo a subir (apesar das constantes oscilações de subida e descida durante cada ano, é possível traçar uma linha de tendência positiva). Através do gráfico, podemos ainda verificar que, do primeiro para o segundo trimestre, o emprego tem subido sempre, mesmo nos anos em que o emprego apresentava uma tendência de descida.

 

Sobre o aumento da despesa decorrente da redução do horário de trabalho dos funcionários públicos

Como era de esperar, além de injusta, a redução do número de horas de trabalho no sector público fará aumentar a despesa pública, por via da contratação de mais pessoas e pelo pagamento de mais horas extraordinárias. A não ser que os funcionários públicos não fizessem nada é que seria possível realizar as mesmas funções trabalhando menos 12,5% do tempo.

Dados do emprego no segundo trimestre

O INE acabou de divulgar os dados relativos ao emprego no 2.º trimestre do ano. Em termos homólogos, verifica-se que o desemprego diminuiu e o emprego aumentou. Estes números são positivos, uma vez que indicam a criação de emprego por parte da economia portuguesa. No entanto, as análises económicas também devem ter em atenção fatores sazonais que possam influenciar os dados. Olhando para a evolução do emprego e do desemprego no segundo trimestre de cada ano, podemos concluir que esta é uma altura em que a economia cria mais postos de trabalho, muitos deles sazonais (turismo, entre outros sectores). Assim, mais do que analisar isoladamente este trimestre, teremos de esperar pelos próximos trimestres para ver se a economia continua ou não a criar emprego.