O Estado pode atenuar o efeito das crises com políticas orçamentais expansionistas. Do ponto de vista monetário, o aumento da moeda em circulação é um dos meios da política monetária expansionista. Através do aumento da moeda em circulação, e da consequente procura de bens, a economia tende a crescer mais do que se se tivesse seguido uma política monetária restritiva.  De igual forma, o aumento do consumo e do investimento público aumentará a procura de bens, aumentando a produção nacional (apenas em parte, visto que muitos bens são importados).

De igual forma, desde que o Banco Central tenha como função uma política monetária, o Banco Central pode comprar ou vender títulos de dívida pública, aumentando ou diminuindo o montante de circulação de moeda, respetivamente – a atuação do BCE ao nível das taxas Euribor é outra forma de política monetária.

Do ponto de vista político, há partidos que defendem a utilização de medidas expansionistas, outros advogam medidas mais restritivas. Se a política expansionista tem a vantagem de fazer crescer a economia no curto prazo (nem sempre isso acontece, cada vez sucederá menos), uma política mais restritiva tem a vantagem de repercutir-se em finanças públicas mais saudáveis e de incentivar o esforço individual para ultrapassar os problemas económicos, tornando as pessoas mais competitivas e mais bem preparadas para ultrapassar as dificuldades que as esperam.

No fundo, as políticas mais restritivas têm a vantagem de permitirem políticas mais expansionistas no futuro, na medida em que se equilibram as contas públicas, primeiro, para depois poder baixar os impostos e incentivar o investimento. As políticas expansionistas com recurso a investimento público podem agravar o desequilíbrio orçamental e, desta forma, pôr em causa a sustentabilidade futura das contas públicas. Foi o que aconteceu em Portugal: o Estado gastou e investiu mais, mas a economia não cresceu o suficiente para conseguir pagar o excesso de despesa/investimento efetuado.

As políticas expansionistas costumam estar associadas à atuação do Estado em contra ciclo com os períodos económicos. O Estado arrecada mais impostos e investe menos nos períodos de crescimento económico para depois gastar mais e baixar os impostos nos períodos de recessão económica. Em Portugal, como não fomos capazes de poupar quando tivemos períodos de expansão económica, agora não temos possibilidade de baixar os impostos e de gastar mais para fomentar a procura.

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Sobre J.Pinto

Apaixonado pelas matérias da gestão, da fiscalidade e da contabilidade.

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  1. Falhou um pormenor, já não temos Banco central e o BCE não está a ajudar.

  2. J.Pinto diz:

    Caro Nuno José,

    Sim, o BCE, ao contrário do Reserva Federal Norte-Americana, não tem funções políticas.

    No entanto, dadas as circunstâncias, o BCE tem comprado dívida dos países periféricos no mercado secundário.

    • Que penso que não deveria fazer, quando se tem regras rígidas e não se percebe que a regra está errada, falha-se. Estou naturalmente a falar do medo exacerbado pela inflação que era o que a Europa precisa neste momento um bocadinho de inflação.

      • J.Pinto diz:

        O objetivo do BCE com a compra de dívida é aliviar a pressão dos juros sobre a dívida dos países periféricos. A inflação, segundo o BCE, parace estar controlada.

  3. Por parecer estar controlada (esteve ligeiramente descontrolada por causa do preço do petróleo durante a pausa da crise) é que tem de ser revista a maneira como o BCE actua no mercado, não tem nada a ver se somos Keynesiano ou não, tem a ver que se está a estrangular países periféricos em nome de 2-3 países. (pausa da crise porque é minha opinião que a actual é consequência da crise das dotcom)

    • J.Pinto diz:

      O que deve estar em causa é se o BCE deve ter funções políticas, ou influenciadas pelos políticos, sabendo que todos eles têm ideias diferentes, ou não. Na minha opinião, não deve. O BCE não deve imprimir dinheiro como imprime a Reserva Federal Americana, aceitando os anseios dos políticas. De igual forma, deve evitar atuar em função das vontades políticas – este é um acaso de exceção e todos sabemos que o BCE tem atuado no mercado, contra alguns países da zona euro.

      No que respeito à crise, mais uma vez não concordo com o Nuno. A crise portuguesa, e a Grega, nada tem que ver com a crise financeira iniciada nos EUA. É uma crise estrutural. NO caso português, esta crise estava prevista há muito – falta de crescimento económico e consumo exagerado por parte dos agentes económicos. A crise financeira, com o aumento dos juros e da incapacidade de financiamento, apenas veio antecipar uma crise que chegaria a Portugal nos próximos anos.

      Se olharmos para os números do crescimento português ficamos completaente elucidados. De igual forma, se olharmos para as contas públicas portuguesas e para o endividamento, as dúvidas desaparecem por completo.

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