As consequências dos descontos

Numa reunião de trabalho com o grupo comercial, depois de ter sido proposto um determinado tipo de desconto na venda dos seus produtos, o gestor da empresa responde: “temos de vender o nosso produto sem desconto; o desconto desvaloriza o produto”.

Empresas portuguesas que não competem pelo preço baixo

As exportações portuguesas têm sido o único motor a puxar pela economia portuguesa. Este artigo do Jornal de Negócios resume muito bem o que tenho defendido neste blogue. As exportações têm crescido a bom ritmo e já não é através dos preços baixos que as empresas portuguesas são competitivas lá fora. É através da diferenciação, do design, da aposta na marca própria, da exclusividade.

O artigo do Jornal de Negócios refere outro artigo publicado do Financial Times. Aquele jornal britânico refere o Vinho do Porto, o papel higiénico da Renova e os sapatos calçados pela mãe e pela irmã da noiva no casamento do príncipe Wiliam como exemplos de sucesso. São apenas alguns casos de empresas que se afirmam no mercado externo pela diferenciação dos seus produtos.

Como diz o artigo, e muito bem, há sempre alguém capaz de produzir mais barato do que os portugueses. A saída terá de passar pelo fabrico de produtos de elevado valor acrescentado.

Além de toda esta realidade, as empresas portuguesas têm, na grande maioria, pequena dimensão, pelo que é ainda mais difícil competir pelo preço mais baixo com as grandes multinacionais.

Novos mercados externos

Numa altura em que Portugal passa por uma grave crise financeira, as empresas portuguesas que querem crescer não devem concentrar as suas vendas exclusivamente no mercado interno.

A seleção dos mercados a explorar é uma escolha que deve ser bem ponderada. Além de ser necessário estudar muito bem o mercado para onde se pretende exportar, a diversificação das próprias exportações é cada vez mais importante para o sucesso das empresas. É claro que a aposta em vários mercados externos não pode nem deve ser feita de uma só vez.

A escolha dos parceiros adequados é um dos fatores mais importantes para conseguir uma boa penetração em mercados desconhecidos. Entrar num mercado desconhecido sem o apoio de alguém que conhece muito bem aquele mercado é deveras arriscado.

Empresas nacionais que lutam contra a crise

Seleção das empresas nacionais que fintam a crise

A economia dos EUA no médio/longo prazo

Há quem pense que é possível ter défices sucessivos e acumular dívida pública eternamente sem qualquer penalização. Deve ser isso que pensam os governantes dos Estados Unidos da América. A hora do ajustamento chegará mais cedo do que muitos pensam. Pelo contrário, com as políticas interventivas do Estado norte-americano, a economia parece cada vez menos competitiva – o défice comercial dos EUA tem vindo a agravar-se nos últimos tempos.

Ao contrário do que se passa atualmente em Portugal relativamente à balança comercial, nos EUA as importações são cada vez maiores do que as exportações.

No futuro, como está bom de ver, os impostos nos EUA terão de aumentar e os credores ainda vão andar com as calças na mão. As medidas de curto prazo que estão a ser implementadas nos EUA não terão o efeito desejado na economia no longo prazo. A perda de competitividade das empresas norte-americanas vai ganhando terreno.

A conversão

Aos poucos, os jornalistas portugueses vão chegando lá. A realidade da economia portuguesa será fortemente influenciada por aquilo que vier a acontecer na Europa – especialmente na Grécia e na Espanha (não esquecer que a Espanha é o nosso maior cliente externo). No entanto, como aqui venho defendendo há algum tempo, alguns indicadores económicos vêm demonstrando que o ponto de viragem da economia portuguesa deve estar a acontecer.

Basta olhar para os dados das exportações portuguesas nos últimos anos para verificar que as empresas portuguesas estão a diversificar os seus mercados de exportação, apostando cada vez mais em países com crescimentos significativos – Brasil, México, China, Rússia, etc. No entanto, o mercado europeu continua a absorver grande parte da nossa exportação. Por este motivo, a instabilidade de alguns países europeus pode afetar a compra de produtos originários de Portugal.

Outros artigos meus sobre as previsões económicas para o ano de 2012

http://economiaegestao.wordpress.com/2012/05/23/as-minhas-previsoes-economicas/

http://economiaegestao.wordpress.com/2012/05/15/a-economia-portuguesa-surpreende/

http://economiaegestao.wordpress.com/2012/05/01/previsoes-economicas-para-2012/

O Estado tem de sair da frente

O Camilo Lourenço tem toda a razão: o Estado tem de sair da frente. Portugal é um dos países da Europa onde o Estado mais interferência tem na economia; há muitas pessoas (empresas e particulares) a viver à custa do Estado. Muitas empresas continuam a laborar porque o Estado continua a comprar-lhes. No dia em que o Estado deixar de lhes comprar, aquelas empresas fecham. Não é por acaso que as empresas de construção são as que mais estão a sofrer com esta crise. Muitas construtoras viviam das obras públicas do Estado e das autarquias locais. O Estado deixou de ter dinheiro e as empresas deixaram de ter o que fazer. O setor da construção civil é dos que mais emprego tem perdido nos últimos meses.

As minhas previsões económicas

Numa altura em que o futuro de Portugal também está dependente do que vier a acontecer noutros países (ex., Grécia, Espanha), fazer previsões é muito mais difícil do que habitualmente.

Governo e OCDE têm perspetivas diferentes quanto ao futuro de Portugal. Na minha opinião, se nada de muito grave vier a influenciar o nosso país, as previsões do Governo relativamente à evolução da nossa economia estarão muito mais próximas da realidade do que as perspetivas da OCDE. As previsões da OCDE relativamente à taxa de desemprego estarão muito mais próximas da realidade do que as previsões do Governo. Como facilmente demonstra a teoria económica, a criação de emprego carece de crescimento sustentado do produto. Como o produto de Portugal irá cair este ano, o desemprego continuará a aumentar.

À fartazana

Durante estes 38 anos, os nossos políticos não tiveram a coragem de assumir os custos, políticos e financeiros, das obras realizadas. Fizeram obras e gastaram à fartazana, mas os custos da festa não foram pagos na altura. Eles prometeram pagar aos credores, mas nunca disseram aos eleitores que a conta teria de ser paga com sangue, suor e lágrimas.

Os números não enganam. Os sucessivos défices orçamentais (desde 1974 que Portugal não consegue equilíbrio nas suas contas públicas) e a consequente acumulação de dívida obrigam-nos agora a temerosos sacrifícios. Além do valor das obras, os portugueses são agora chamados a pagar os juros e os dividendos dos investidores e dos credores do Estado.

As orientações do Ministério da Educação e o ensino profissional

A aposta nos cursos profissionais é positiva. As empresas necessitam de mão-de-obra qualificada, de pessoas que tenham as qualificações e que conheçam as especificidades de cada área profissional.

Segundo o Jornal de Notícias, o Ministério da Educação vai privilegiar os cursos profissionais relacionados com a agricultura, a pesca e a caça. Considero que o Governo faz bem em estimular a abertura de cursos profissionais, mas tenho muita relutância em aceitar que deva ser o Governo a impor as áreas mais importantes. O Governo saberá quais são as áreas mais importantes? Os cursos profissionais nas áreas do têxtil e do calçado não serão mais importantes no Vale do Ave e no Vale do Sousa, respetivamente, do que no Alentejo ou no Algarve? Os cursos relacionados com as pescas não serão mais importantes no litoral do que no interior?

Não tenho números que possam confirmar o que vou dizer, mas tenho a noção de que os cursos profissionais devidamente enquadrados nas necessidades das empresas locais são exatamente os que têm maior grau de empregabilidade. Aliás, de uma forma geral, alguns dados recentemente veiculados pela comunicação social dizem que os cursos profissionais têm maior grau de empregabilidade.

A própria atuação das escolas no mercado tem de ser diferente; elas têm de trabalhar em parceria com as empresas, a sua oferta formativa tem de ir ao encontro das necessidades das empresas.